O Ponto

28 03 2008

Dia chuvoso às 06:30 da manhã, uma grande vontade de retornar para casa, ah como eu não queria ir para esse ponto de ônibus! Parece que hoje está mais cheio do que os outros dias. Ao redor pessoas suando e de cara feia de tanto esperar pelo maldito ônibus. Os carros passam em alta velocidade e nos encharcam de lama, parece pirraça e não demora muito para alguém gritar: Filho da mãe! Pronto, era só o que me faltava além de ter que mofar no maldito ponto, vou ter de mofar suja de lama! É verdade, esperar ônibus é um martírio em dia de chuva, então é um pesadelo! Mas pra quem importa o pobre esperar horas por um ônibus para trabalhar, já que a frota é tão significativa, não é mesmo?

            E o ponto continua enchendo, um aperto danado, todos disputando a parte coberta para não tomar muita chuva, ao lado duas senhoras reclamando o tempo todo, lamentando o motivo da chuva, justamente no dia em que resolveram ir à missa rezar pelos pecadores do mundo. E eu me perguntava: o que fiz para merecer isso? Então resolvi pensar em algo positivo fazer de conta que está fazendo sol. Logo me arrependi porque estaria ali torrando no sol. É, só resta esperar mesmo. Lá vem um ônibus, tem que ser o meu! Não era. As pessoas saem correndo para pegá-lo sempre lotado, pouco importa! O hábito de ir encurralado e se segurando na porta já virou referência, no sistema coletivo tão eficaz, segundo as autoridades.

              Continuava a esperar, em dia de sol já é horrível, em dia de chuva só piora. O jeito é tentar pelo menos sentar. Afinal, antes esperar sentado do que em pé, logo me certifico que é missão impossível. Só existem seis lugares para um aglomerado de pessoas a espera de um meio de locomoção e a preferência, claro, é dos idosos. Mas pra que eles têm que sair tão cedo? Ignorância minha, eles sofrem mais do que eu. Além de não terem nenhum conforto no ponto, às vezes não conseguem nem correr atrás do “buzu”, que quase sempre pára fora do ponto. Continuo em pé, roupa molhada, logo chega o meu ônibus, chego a esboçar um sorriso. Está tão lotado, mas não tem jeito, é ele mesmo que vou pegar, eu e umas dez pessoas.





A Fila

28 03 2008

É impressionante a nossa fissura por fila. Mas quem inventou a fila? Onde nasceu a fila? Será que foram os elefantes indianos que inventaram e por isso chamamos de fila indiana? Mas antes disso os dinossauros não se dispunham em fila pra caminhar em bando?

Dúvidas à parte, a verdade é que as grandes difusoras dessa forma de organizar-se, conhecida como fila indiana, no mundo são as formigas. Depois que as formigas, criaturinhas no mínimo antenadas, perceberam que tudo fica mais fácil em fila o mundo não foi mais o mesmo.

A fila é a prova de que quem vai chegando vai ficando atrás, menino educado é assim que faz, a gente sabe disso desde pequeno. A fila é a prova de que somos sempre o primeiro, o décimo, o qüinquagésimo em alguma coisa. A fila é a maneira de dizermos aos atrasadinhos o nosso sinto muito, é a forma de não nos atropelarmos ao entrar no ônibus. A fila está presente em toda a vida humana, mas na vida do pobre a fila é um carma, um estigma e às vezes até um vício. Somos loucos por uma filinha!

            A nossa mania começa quando somos ainda espermatozóides, quando corremos em uma fila onde o primeiro não é necessariamente o vencedor. Quando esse sufoco passa, quem entra na fila é a nossa mãe, umas das filas mais temidas do Brasil, a fila do SUS. A nossa próxima grande fila é a de irmãos, uma escadinha de pelo menos cinco. Depois disso é fila pra se matricular na escola, é fila pra namorar o garoto mais popular da turma, fila pra lanchar, fila no banco, no supermercado, no hospital, pra arranjar um bico, pra receber dinheiro, pra ser admitido, pra ser demitido, pra receber seguro desemprego, pra se aposentar, pra mais uma vez ir ao hospital, pra morrer e pra ser enterrado.

            Ô porre de tanta fila!

Mas como poderia ser diferente a nossa vida de habitantes do terceiro planeta de uma fila de nove?

            Um dia eu vi uma grande fila no centro da cidade, perguntei ao último da fila do que se tratava e ele disse:

– Eu não sei não! Eu tava passando e vi esse povo na fila, aí eu entrei também, né moça?

Fui fazendo a mesma pergunta aos outros, e as respostas eram as mesmas. Fiquei invocada e perguntei ao primeiro da fila:

– Vem cá moço, o que é que o senhor tá fazendo aí parado? É fila pra quê?

– Eu não sei minha fia, eu machuquei meu pé, parei aqui, e esse povo doido parou aí atrás de mim.

Sabe o que eu fiz? Entrei na fila, por via das dúvidas!

É claro que isso é mentira minha. O que vale é a minha intenção de mostrar a nossa obsessão por fila.

            E já que estamos falando em fila… Por obséquio, quem é o próximo?





Olá mundo!

7 03 2008

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Olá galera,

Entrem e fiquem á vontade!

Esse blogger tem a intenção de divulgar críticas e crônicas interessantes, sobre o dia-dia.